sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013




SABIÁ

Pobrezinho do sabiá! Tão só dentro da gaiola.
Sentirá saudades da mata?
Decerto que sim.
Mas aprendeu a amar o dono.
O dono que o ama. (que diz que o ama...)
Ele canta. Canta triste.
Seu canto fala de uma terra distante.
Fala de asas abertas.
De vôos solitários.
De matas verdejantes.
Fala de outros pássaros livres.
E fala de solidão.
Mas o dono não sabe disso.
Se sabe, quer ignorar.
Porque o quer por perto. Egoísta!
Quer ouvi-lo cantar bem próximo.
Quer ouvi-lo no jardim, pertinho de sua janela.
Esquece que o pássaro nasceu para ser livre.
Que nenhuma gaiola de ouro fará um sabiá feliz.

sonia delsin

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