OUTONO
Folhas
soltas ao vento...
Minh’alma
flutua no tempo...
Ouço
o suave murmúrio das folhas espalhadas.
Esse
ventinho de maio me arrepia.
Não
só minha pele sensível. Mas a minh’alma sensível.
Recordo
outros outonos. Outonos de outras terras, de outras ruas.
Ruas
onde caminhei, sonhei e imaginei.
Ruas
onde deixei pedaços de mim.
Quis
apagar as lembranças, mas elas voltam.
Sempre
voltam quando ouço o barulhinho monótono das folhas.
Folhas
secas a raspar, a voar pelo chão.
São
folhas mortas, como os pedaços de mim que morreram.
Morreram
há tanto tempo.
Mas
por que não esqueço tudo?
Se
coloquei uma pedra em cima do passado.
E
recomecei outra vida longe.
Com
o passar do tempo as lembranças já não doem.
Ficam
mais suave.
Não
há mais amargura. Só recordações.
Outonos
passados...
São
Carlos, 22 de maio de 1994
sonia delsin

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