sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013




POR AMOR

Alguém falou de amor, amor pleno.
Amor tão grande pela humanidade.
Maior que qualquer coisa.
Um rei de pés descalços...

Mais sábio que qualquer outro.
Ele era mais puro que um amanhecer.
Mais sereno que a brisa mais leve.

Pregou a paz, o amor, a liberdade
e a igualdade.

Em troca de seus ensinamentos e seus
milagres...

Ganhou a negação, a traição e
a crucificação.

sonia delsin






O AMOR

Ele veio como um vento leve
e me acariciou a alma.
Surgiu lentamente
e tomou conta de mim.
Ele não me contou
de onde veio
e nem porque.

Eu precisava senti-lo assim.

Fui me deixando envolver
por suas tramas.
Fui me encantando com
sua beleza.
Ele era algo a mais
na minha vida,
e enchia-me a alma.

E me fazia flutuar.
Tal a sensação de leveza.

Ele me fez crescer
e atingir amplitudes imensas.
Sua presença
fazia-me
sentir gigantesca.

Ele me fez forte na minha fragilidade.

Ele me mostrou
outras direções.
E me devolveu
a própria vida.

Ele me trouxe a felicidade.

sonia delsin



ALQUIMIA

Você tem o poder de transformar
um simples ser como eu
em alguém tão especial.

Você, com sua gentileza
consegue trazer à tona
um anjo que dorme em mim.

Você
, com sua ternura até
consegue despertar
a minha alma de poeta.

Você com este seu jeito de ser
sabe extrair lá do fundo
de meu ser o que tenho
de melhor.

sonia delsin



TIMIDEZ

Sem jeito eu olhei
baixei os olhos.
Você me olhou,
senti o olhar.

Levantei os olhos,
estava você a me contemplar.
Éramos só duas almas
a se procurar.

Minha mão na sua
fazia-me corar.
E os beijos então...
nem vou contar...

sonia delsin



MÃE

Quanto choro eu sufoquei com o rosto enterrado entre os seus joelhos.
Quanta dor você me aliviou só com sua mão quentinha.
Com seus olhos calmos...

Mãe, eu hoje me lembrei daquele dia em que lhe confessei
que desistia da minha luta.
Estava abandonando o campo de batalha...

Você se lembra que eu lhe falei
que já não tinha mais forças
para continuar...

Mãe, você compartilhou do meu sofrer
e escondida se derramou em lágrimas.
Eu
sabia!
Via seus olhos inchados...

Onde você conseguia encontrar tanta força pra chorar
longe de mim e entrar naquele quarto toda sorridente...
...me trazendo a flor mais bela que havia desabrochado
ainda naquela manhã...

Mãe, a minha luta era a sua luta.
Lembra quando eu rejeitava carinhos,
cobria a cabeça, afastava o prato,
me fechava em copas...

Não
havia muitas perspectivas de cura
para mim, mãe
e eu era pouco mais que uma menina
sobre aquela cama...

Não sei porque é que o tempo
não apaga da gente as lembranças amargas
e só não deixa as coisas boas registradas...

Você, com todo seu saber conseguiu
mostrar-me uma saída
para os meus labirintos...

Aquela luta, mãe... nós vencemos juntas.

sonia delsin



LEMBRANÇAS DE NÓS DOIS

A brisa leve no meu rosto
veio me trazer lembranças
de nós dois.

Que tempos bons aqueles
em que nos sentávamos sob o luar
pra namorar!

Eram tantos beijos loucos
tantas promessas, tantos carinhos.
Tanto tínhamos a nos falar.

O mundo à nossa volta
não existia.
Éramos só os dois
e a fantasia.

Dançávamos a nossa música
preferida
de rosto colado.
Você sussurrando ao meu ouvido
palavras de amor tão belas.

Sua voz rouca me levando
às nuvens.
E a música, o ambiente
em si me transportando
para o paraíso.

Sua mão deslizando pelas
minhas costas.
Olhos nos olhos.
Coração no mesmo compasso.

Parecia que já não caminhava
com minhas próprias pernas
naqueles dias.

Era como se eu flutuasse
num mundo novo.
Todo colorido, todo pintado
pelas mãos do artista do amor.

Que bom que era tomar sorvete
na mesma taça!
Assistir o sol se pondo num
rústico banco de praça.

O nosso amor nasceu
naquele tempo em que éramos
tão jovens, tão inocentes.
Mas se fortaleceu com os anos.

Quando nos lembramos juntos
daqueles nossos sonhos e planos
vemos o quanto fomos
abençoados com o nosso
amor.

sonia delsin



MEU MENINO

Pequeno ainda você
vivia,
a me fazer mil perguntas
num só
dia.

Como toda criança
faz.
Você queria saber
demais.

Meu menino, quando você sorria.
Eu me comovia.

Mas como sofria tanto.
Me punha em pranto.

Você
chorava
e eu o consolava.

Você me olhava
e eu me emocionava.

Você me amava.
Eu lhe adorava.

Você crescia em beleza
e graça.
E eu temia o tempo
que tão depressa passa...

Meu menino, você já cresceu.
Se fez fruto e amadureceu.

Agora quando do meu menino bate
no peito grande saudade.
Fecho os olhos, chamo-o e
ele volta a ter aquela
mesma idade.

sonia delsin



CAMINHANDO

Quero caminhar pelos campos de flores.
Campos que vivem na minha memória.
Campos que basta fechar os olhos para estar lá.
Caminhar descalça na areia e ouvir o mar.
Andar de novo pelas estradas poeirentas de ontem.
Voltar a andar pelos caminhos já percorridos.
Buscando lembranças de outros tempos.
Há muito aqui dentro do peito.
Não posso caminhar só pelas estradas do agora.
É muito pouco para mim o presente.
Quero reviver o passado.
Antever o futuro.
Quero viver tudo intensamente.
Porque amo demais viver.
Amo a vida.
Amo essa vibração intensa que sinto me rodear.
É assim que sou.
Querendo agarrar tudo.
Querendo absorver vida.
Querendo vibrar junto com a vida.

sonia delsin



MOMENTOS

Momentos... fragmentos de vida!
Pedaços de ilusão.
Fantasias de uma noite de verão.
Doces momentos que valem tanto.
Deles é que extraímos a energia para viver.
Para superar o cotidiano, a monotonia.
Para sobreviver.
Momentos... doces momentos!
Onde a alma flutua, desintegra.
E no Universo se integra!
Alguma coisa maior, sobrenatural.
Mas efêmera, breve.
Um doce encantamento...
...um momento.

sonia delsin



EIS ME AQUI, MUNDO!

eu disse ao mundo
fui ao profundo
que absurdo!

sonia delsin



MORRER

O mar é azul.
Azul é o meu sonho de voar.
Voar, voar...
feito uma gaivota.
O cavalo trota, trota.
Sonhar... sonhar...
Voar... voar...
Estou perdendo altura.
Vou cair no mar.
Vou me afogar.
Afagar uma criança.
Uma que ainda mora em mim.
Que
mora em minha alma.
Olhos, luzes, cores.
A vertiginosidade das coisas.
O tempo em sentido inverso.
O que é tempo? O que é espaço?
O que é trotar?
O que é voar?
O que é mar? O que é afogar?
Azul é o mar.
Voar é um sonho azul.
Sou gaivota.
Estou morta...

sonia delsin



VIVER

As águas passam carregando folhas mortas.
À margem, observo que as águas passam.
Tudo passa.
Tudo se renova, tudo recomeça.
Tudo tem uma razão de ser.
Eu também passo, a cada segundo que passa.
Cada momento que vivo será um a menos na minha vida.
Nunca mais viverei o dia de ontem.
Mesmo ele estando ainda tão vivo dentro de mim.
Sou tudo aquilo que recordo de mim.
Sou a soma de todos os momentos que vivi.
Olhando a vida passar procuro uma maneira de parar.
Mas não consigo.
Só consigo passar, como as águas...

sonia delsin



DE  MÃOS  DADAS

De mãos dadas. Olhos nos olhos.
Verdadeiros. Sinceros.
Puros!
É assim que eu idealizei um futuro para nós.
Há tantos anos atrás.
Eu quis que fosse um amor diferente.
Um amor completo.
Um amor que preenchesse todos os nossos espaços.
Um amor que derrubasse qualquer barreira.
Vencesse qualquer obstáculo.
Foram anos e anos juntos.
Anos difíceis.
Passamos juntos por caminhos só de flores.
E caminhos só de espinhos.
Às vezes nos desesperávamos.
Mas o amor.
Chama viva, nos deu forças para tudo superar.
E tudo vencer.

São Carlos, 20 de março de 1990

sonia delsin



“NÓS”

Buscamos uma perfeição de “nós”.
Às vezes, nos ferimos, nos magoamos nesta busca.
Nesta procura desencontrada nos desencontramos muitas vezes.
Por que temos a nossa individualidade, mesmo sendo “nós”.
Eu sou a poesia, a fantasia, o efêmero, o sonho.
Você é a realidade pura e simples.
A minha sensibilidade se choca com a sua insensatez.
O que falta em mim sobra em você.
E o que lhe falta sobra em mim.
Minha alma feminina ama a sua alma masculina.
Às vezes atribuímos valores desiguais às coisas.
Mas nem por isso deixamos de nos amar.
E com o mesmo amor de sempre.
Toda a nossa estória se resume em “nós”.

São Carlos, 07 de fevereiro de 1991

sonia delsin



LIMITES

corpo
limites?
sem limites?
almas ilimitadas

sonia delsin



NOSSO  AMOR

Depois de vinte anos conheço cada traço seu.
Cada sorriso, cada ruga, cada palavra.
Conheço suas qualidades e seus defeitos.
Conheço cada sonho, cada desejo.
Eu conheço você inteiro.
Adivinho o que vai dizer antes que o diga.
Conheço suas broncas, seus olhares.
Somos tão íntimos, nossas almas se completam.
Somos um do outro.
Juntos somos fortes, capazes.
Juntos somos tudo.
Separados somos nada.
Não é só a força do hábito que nos une.
É uma força muito maior.
É a força do amor.

São Carlos, 30 de setembro de 1994



O  MARCADOR  DO  TEMPO

Ouço o tic-tac monótono do relógio e me ponho a pensar.
Meu Deus!
Cada vez que os ouço minha vida está um pouquinho mais curta.
Mesmo que eu não os ouça estará ainda assim.
O que buscam os segundos, os minutos, as horas, os dias?
E se não houvesse um marcador do tempo?
Mas. O próprio dia o está marcando.
Cada amanhecer é um novo tempo que se inicia.
E assim surgem gerações e gerações.

sonia delsin



PLANETA  TERRA

É o fim do planeta Terra!
Já não é mais uma possibilidade remota.
O homem tem construído para sua própria destruição?
Eu imagino meu corpo sendo lançado vertiginosamente no espaço sideral.
Imagino esse lindo planeta sendo destruído.
Eu me vejo olhando de longe, como se fossem as cenas chocantes de um filme.
Não, meu Deus! O fim seria muito doloroso!
Como é linda a terra, o mar, os campos, as montanhas, os riachos, a noite, o dia, a chuva!
A vida é um milagre maravilhoso que se repete ininterruptamente.
Quanta beleza existe no desabrochar de uma flor coberta de orvalho!
E o homem não seria capaz de criar uma flor, com a vida que vem tão naturalmente.
A vida que está em tudo, que está em nós e nem sabemos ao certo de onde vem e nem conseguimos segurá-la para que ela não nos fuja.
Mas parece que os homens não estão preocupados com este velho mundo sempre repetindo as mesmas cenas, que quase não se emocionam mais.
E um simples gesto de apertar um botão pode por fim a tudo isso.

Santa Rita do Passa Quatro, 12 de outubro de 1986

sonia delsin



SONHOS

Foram lindos os meus sonhos!
Eles construíram castelos de vento sobre as areias das praias.
Eles plantaram ilusões e esperanças nos jardins ao redor.
Eles fizeram um grande castelo com jardins fantásticos.
Eles levaram meu interior para morar lá e prometiam.
Como prometiam.
E meu corpo foi ficando, esperando e cansando de tanto esperar.
Um dia ventou muito forte em minha vida e desabou meu castelo.
As ruínas e os jardins abandonados, arruinados; formavam um conjunto doloroso.
Chorei, me revoltei por não ter condições de construir outro.
O tempo foi passando e aprendi a pisar firme sobre os destroços dos meus sonhos.
Aprendi a construir sobre bases sólidas, mesmo enfeitando ternamente a realidade.
Bordei esperanças e ilusões sobre o escuro sofrimento e lhe confesso que tecido escuro bordado de cores leves e suaves alegra pouco.
Mesmo que seja uma alegria melancólica.
Vida enfeitada é saia bordada.

sonia delsin



NOSSOS  FILHOS

Que obra maravilhosa nós fizemos através de Deus.
Nossos filhos lindos!
Como amamos essas duas criaturas que nasceram do nosso amor!
Nosso filho mais velho foi nossa escola de aprender.
Aprender a cuidar de um bebê.
E acompanhar o desenvolvimento de uma criança.
Foi ele que nos ensinou que a vida é bela, que tudo vale a pena.
Nosso segundo filho veio depois de bastante tempo.
Ele nos ensina ainda que não aprendemos tudo.
Esses anjos vieram enfeitar nossa vida.
Colorir nosso cotidiano de mil cores.
Encontramos em seus gestos nós mesmos.
Nossos pais, nossa infância.
Nossa própria vida.

São Carlos, 22 de agosto de 1989

sonia delsin



NATAL

Está se aproximando mais um Natal.
Vinte e cinco de dezembro.
Deus Menino! Noite Feliz!
Ó Jesus! se você voltasse aqui agora!
Como será que iríamos recebê-lo?
Será que conseguiríamos perceber que era você?
Ou nos deixaríamos levar pelo senso prático?
Perceberíamos que o Filho de Deus estava entre nós?
Como seria Jesus agora no século XX?
Nós seríamos tão tolos e o ignoraríamos?
Ou seríamos cruéis a ponto de crucificá-lo outra vez?
Queria saber mais de você, Jesus!
Queria também saber de mim, dos homens, da vida.
Queria entender tanta coisa.
O que se passa com os seres humanos?
Alguns são tão desumanos!
Eu queria neste Natal um dia de amor.
De paz, união entre todos os povos.
Queria ver o nosso planeta se transformar.
Num planeta de amor.

São Carlos, 10 de dezembro de 1991

sonia delsin



SEPARAÇÃO

Você fez parte da minha vida.
Éramos tão unidas.
Mas a vida nos carregou por outros caminhos.
Nós que éramos confidentes nos vimos de repente tão distantes.
Não há o que falar porque morreu o sentimento.
Mataram algo tão bom em mim.
Seu olhar implora por um olhar que morreu.
Não posso amar você. Não devo. Não quero.
Acabou.
Tudo se acaba um dia.
Eu já havia lhe dito que um dia tudo acabaria.
Eu já previa.
Foi uma dor tão grande cortar os laços que nos unia.
Mas eu cortei tudo. A raiz.
Não me guarde rancor. Só me esqueça...
... como eu faço de conta que já lhe esqueci.

São Carlos, 24 de fevereiro de 1995

sonia delsin



A  MORTE

O que é a morte?
Fim? Libertação?
A morte é a ponte que leva o espírito, da prisão do corpo.
Para a liberdade do infinito.
É assim que imagino a morte.
O casulo de carne liberando a mariposa adulta.
Para que possa voar livre por caminhos multicolores.
Na vida não há liberdade para voar.
Só nos sonhos voamos, nos liberamos e somos livres.
Nosso corpo aprisiona nosso espírito.
Até a hora em que a compreensão atinge o clímax.

São Carlos, 05 de janeiro de 1994


sonia delsin



PELOS  CAMINHOS  DE  ONTEM

Caminhamos de mãos dadas,
Abraços e beijos.
Suas mãos faziam festas nos meus cabelos longos.
Olhos nos olhos.
Fomos sempre tão francos.
Tão abertos um com o outro.
Não houve nunca entre nós uma reserva, um senão.
Fomos sempre totalmente livres no querer bem.
Dizem que as almas não se estendem.
Não sei dizer se nossos corpos espirituais deitaram-se.
Os carnais deitaram-se juntos.
E sempre foi tão especial amar você.
Sempre vi nestes momentos mil cores e luzes.
Foram sempre tão lindos os nossos momentos.
Então eu lhe digo que sempre caminhamos juntos pelo ontem.
Em outras vidas.
Sinto que caminhamos sempre juntos.
Através do tempo e do espaço.

São Carlos, 11 de novembro de 1994

sonia delsin



MEMÓRIAS

Por caminhos de sonhos.
Caminhos do passado.
Eu  não posso mais caminhar.
Não posso voltar atrás no tempo.
Fui deixando  os pedaços de mim pelas estradas.
Minh’alma foi esmerilhada pelas pedras do caminho.
E os fragmentos se espalharam todos pelo passado.
Porque vivi cada instante como se fosse o último.
Não consegui eternizar os momentos.
Não consegui para o tempo.
Mas eu os guardo intactos na memória.
É só fechar os olhos e revivê-los.

São Carlos, 15 de maio de 1994




MEUS  FANTASMAS

Nas lembranças da minha infância, da minha adolescência vivem criaturas fantasmas.
Que passaram e marcaram a minha vida.
Que me fizeram feliz ou me fizeram chorar.
Mas deixaram em minh’alma tatuagens de fogo.
Mergulho fundo no passado e sinto que aos poucos começo a esquecer detalhes.
São lembranças embaçadas, as minhas.
Mas há rostos que ficaram gravados com tanta nitidez em minha memória que basta fechar os olhos para  vê-los.
Há olhos, vozes... e gestos...
Foram pessoas que passaram, cruzaram o meu caminho.
Fizeram parte da minha vida.
Ou nem chegaram a fazer.
Passaram por mim e se foram.
Deixaram marcas.
Deixaram impressões tão fortes que se fizeram inesquecíveis.
São os meus fantasmas...


sonia delsin